Como a infraestrutura pode auxiliar na performance do seu portal?
Time BASE

Quando se fala em performance digital em sites institucionais, muita gente ainda pensa só em design, conteúdo e boas práticas de SEO e GEO. Mas, por trás de cada portal que carrega rápido e aguenta picos de tráfego sem travar, existe algo determinante e potente: a infraestrutura.
Conversamos com Rafael Busetti, COO e co-Fundador da BASE, sobre como escolhas técnicas estratégicas fazem toda a diferença na presença digital de uma empresa e por que a infraestrutura precisa entrar nas discussões entre Marketing e TI desde o briefing. Confira a entrevista.

Time BASE entrevista:
Rafael Busetti | COO e co-Fundador da BASE Digital
1. O que significa “infraestrutura” quando falamos de performance de sites institucionais?
Rafael Busetti: A infraestrutura de uma aplicação pode ser formada por um conjunto de servidores. Vários níveis precisam ser tratados para que, de fato, uma aplicação tenha performance.
Para grandes empresas, em geral, é preciso: servidores, Content Delivery Network (CDN) configurada para distribuir o conteúdo geograficamente com mais rapidez e camada de cache configurada para acelerar o retorno de informações estáticas. Isso contribui para entregar as informações ao usuário final com a maior velocidade possível.
Explico: CDN é uma rede de entrega de conteúdo. Quando eu configuro uma CDN em um portal, existem vários pontos de entrega. Geograficamente, eles estão distribuídos no mundo inteiro. Então, por exemplo, se estou acessando no sul do Brasil, possivelmente esse conteúdo vai ser entregue por um ponto mais próximo, no Brasil ou na região. Se eu estou nos Estados Unidos, na Europa, esses conteúdos vão ser servidos desses pontos mais próximos. Isso reduz a latência desse retorno, ou seja, o tempo que a informação leva para sair do servidor e chegar até o usuário, acelerando o carregamento do portal.
Mas só a CDN não resolve. Em cima, é importante configurar uma camada de cache para armazenar respostas e arquivos que podem ser reutilizados. Então, quando os próximos usuários acessarem o portal, não será preciso buscar tudo novamente na origem. As informações vão estar “cacheadas”, digamos assim, armazenadas em cache, gravadas em algum lugar mais próximo. E esse retorno ao usuário final vai ser mais rápido, fazendo com que a velocidade de carregamento do site seja maior.
As imagens também são servidas por CDN. Com uma camada de cache, o retorno é muito mais rápido. É bem ruim acessar um portal e ver aquela imagem carregando de pouquinho em pouquinho.
Hoje, a gente está numa era em que a produção de conteúdo, com imagens e vídeos, está cada vez mais densa e carrega informações relevantes. Então, o portal de uma empresa precisa entregar esse conteúdo da melhor forma possível. É bem comum ver várias aplicações com CDNs configuradas, mas que não estão com o cache configurado corretamente. Aí, parte desse ganho de velocidade se perde, porque o portal ainda precisa buscar informações na origem.
2. Na prática, quais decisões de infraestrutura mais impactam a velocidade e estabilidade de um site institucional?
Rafael Busetti: A infraestrutura impacta a velocidade e ajuda a sustentar a estabilidade de sites institucionais. Mas, por si só, ela não é suficiente. Existe uma arquitetura da aplicação por trás e uma série de decisões que precisam conversar entre si: escolha de stack, forma de hospedagem, uso de CDN, configuração de cache e estratégia de entrega dos arquivos estáticos. Tudo isso influencia o tempo de resposta, a estabilidade em momentos de pico, a segurança e a capacidade do portal evoluir sem comprometer a performance.
Hoje, existem diferentes formatos de arquitetura para diferentes tipos de aplicação. Em um site institucional, uma solução monolítica pode atender muito bem, porque concentra a gestão de conteúdo, a aplicação e a entrega em uma estrutura única. Dependendo do contexto, isso simplifica a operação, facilita a manutenção e pode ser uma escolha bastante eficiente para empresas que precisam operar o portal com estabilidade, sem criar complexidade desnecessária.
Mas, quando o portal precisa evoluir com mais integrações, múltiplos canais, áreas logadas, conteúdos dinâmicos, maior controle de performance ou separação entre CMS e frontend, uma arquitetura headless pode fazer mais sentido. Nesse modelo, o conteúdo fica desacoplado da camada de apresentação, permitindo que o frontend seja otimizado de forma independente e que a mesma base de conteúdo possa alimentar diferentes experiências digitais.
No fim, o ponto principal não é escolher monolítico ou headless por tendência, mas entender o contexto do negócio, o volume de conteúdo, as integrações necessárias, o time que vai operar a plataforma e os requisitos de performance, segurança e escalabilidade.
3. Quais erros ou decisões mal planejadas você mais vê em grandes empresas quando o assunto é infraestrutura de websites?
Rafael Busetti: Muitas empresas subestimam esse tema. Às vezes, só é vista a esfera da economia, mas não se vê o outro lado da moeda, que inclui segurança, escalabilidade, backup, governança, SEO e GEO. Performance, disponibilidade e tempo de resposta também interferem na indexação, na visibilidade em buscadores e na presença em respostas de IA. Quando isso não entra na conta, a empresa pode economizar na hospedagem, mas perder em estabilidade, alcance orgânico e experiência do usuário.
Quando a gente fala de infraestrutura, vem uma sopinha de letrinhas junto. Então, além de CDN e cache, tenho uma questão de segurança na frente. WAF (Web Application Firewall) é uma barreira protetora que nem toda infraestrutura tem, e é preciso considerar isso.

Os 4 Pilares da Infraestrutura de Alta Performance | BASE Digital
Além disso, tem também a questão da escalabilidade, porque existem muitas infraestruturas com baixo custo que são providas em servidores compartilhados, ou seja, tem outras empresas utilizando esse mesmo recurso. O problema é que, se houver um pico de acesso, a aplicação disputa processamento, memória e capacidade de entrega com outros sites, e a empresa tem menos controle para ampliar essa capacidade. Também há a infraestrutura cloud, uma solução unitária, onde a infraestrutura não é compartilhada com outros sites no mesmo servidor, e é possível prover um recurso dedicado só para prover a aplicação. É possível projetar, planejar e ter mais controle sobre tudo que está sendo servido.
Se tiver picos de acesso, como em uma campanha de mídia, lançamento ou ação promocional planejada, é possível projetar para que a infraestrutura escale e continue servindo dados sem erro, porque esse é um outro ponto, como que eu mitigo erros na infraestrutura.
Também tem a questão do backup. Como o backup do banco de dados, do Amazon S3, dos assets dinâmicos. Por exemplo: imagina o site de uma empresa com um blog com 5 mil notícias, onde o time levou muito tempo para gerar essas notícias, fazer todos os cadastros, com curadoria de imagem. Imagina subir todas as imagens para o site, e, do nada, perder tudo.
Então, tudo isso vem nesse pacote. Possivelmente uma infraestrutura mais barata não vai trazer o nível de governança que uma grande empresa necessita.
O custo de uma infraestrutura cloud é maior, só que eu tenho que olhar pro outro lado da moeda, que é o que eu estou trazendo de benefícios com essa outra infraestrutura frente a esse modelo, no que eu quero economizar.
Logo, se eu contratei uma hospedagem barata, possivelmente não tem camada de cache, talvez não tenha CDN, eu vou estar limitando a performance do portal. A entrega do site vai ser mais lenta pro usuário final.
Também tem a questão da indexação do portal frente aos motores de busca. Se o portal é lento, o ranqueamento dentro do Google pode ser prejudicado. Então, é um custo invisível que ninguém coloca no papel, só que vai impactar lá na ponta.
Aqui na BASE, a gente tem uma área chamada Digital Performance, que olha para a performance digital de forma mais ampla, incluindo SEO, GEO, analytics, conteúdo e auditorias técnicas. Um dos pontos que a gente analisa é a questão da infraestrutura. Se tem CDN, se tem cache, ou não. Respondemos perguntas como: qual é a latência de entrega do portal? Como estão as notas e os indicadores técnicos deste portal?
Muitos itens são tratados nessa esfera de infraestrutura. Então, não adianta fazer todo um trabalho custoso de um lado, e deixar essa ponta falha.

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4. Tem algum “vilão invisível” que costuma prejudicar a performance digital que passa despercebido?
Rafael Busetti: Existem também alguns vilões invisíveis quando falamos em performance digital. Obviamente, não é só na esfera de infraestrutura. Quando eu falo performance, tem muito a ver com a aplicação, como ela foi desenvolvida.
Além da própria ausência da CDN e da camada de cache, tem as imagens pesadas sem compressão. Também é possível ter uma aplicação mal desenvolvida, eu posso ter plugins mal otimizados ou que não foram atualizados para as versões mais recentes. Scripts de terceiros no portal também podem degradar a performance ou bloquear a renderização.
As aplicações que a BASE faz, hoje, seguem boas práticas de mercado dentro de um boilerplate, dentro de uma estrutura base, onde a gente já passou por inúmeros testes, por muitos quesitos de performance, então a gente já entrega um pacote inicial já resolvendo essas frentes desde o começo do projeto.
Um exemplo são as imagens extremamente pesadas publicadas em sites institucionais. Se essa imagem for publicada no portal, o carregamento do site vai ser mais lento. Isso compromete a experiência do usuário e pode prejudicar o desempenho da página nos sinais avaliados pelo Google. Nesse caso, a aplicação tem que comprimir essa imagem. Para isso, é preciso uma infraestrutura que me permita fazer essas ações sem que o ambiente fique instável ou até caia.
Se a infraestrutura não for boa e bem configurada, o time pode subir uma imagem pesada e o servidor pode cair porque vai faltar memória. E aí tem técnicas para aplicar essas ações dentro do portal para que a página seja entregue mais rápido, para que tenha uma conversão, para manter o usuário engajado no meu conteúdo, enfim, para uma infinidade de ações.
5. O que deve ser considerado já no briefing técnico para garantir que a infraestrutura do site não seja um gargalo depois?
Rafael Busetti: O briefing técnico é feito no início por uma razão: infraestrutura não é tudo igual. No caso dos portais, a gente precisa entender questões como o volume de acessos, a região principal de acesso do público do cliente, se é Brasil ou global, SLA, observabilidade, se tem campanhas de mídia, lançamentos ou picos de acesso em determinadas seções do site, quais os parâmetros que vêm das mídias, como UTMs.
No briefing técnico, a gente também gosta de analisar as integrações. Pode ser que precise de mais artefatos, mais máquinas dentro da aplicação, para servir todo esse universo. Outro ponto é a questão da segurança, que precisa ser avaliada.
A partir do briefing técnico, a gente define qual vai ser o processamento, qual vai ser a memória dessa máquina, o que vai fazer sentido conectar junto a esses artefatos, como distribuição, na parte dos assets, a configuração de CDN e a camada de cache. O briefing técnico está casado também com as definições de arquitetura da aplicação.
6. Você pode dar um exemplo real de como uma mudança de infraestrutura gerou ganho concreto de performance digital?
Rafael Busetti: Às vezes, é necessário migrar toda a infraestrutura da empresa. Foi o que aconteceu com um dos clientes da BASE, uma grande empresa, em que a infraestrutura estava localizada no antigo fornecedor. No momento da migração, a gente começou a fazer uma avaliação de todos os artefatos que estavam sendo provisionados e do que a gente poderia fazer para melhorar a performance de entrega sustentada pela infraestrutura.
O cliente nos trouxe uma dor assim:
"Toda janela de deploy em produção, o meu servidor cai e meus usuários finais não conseguem mais acessar o meu portal”.
Então, o que fizemos foi revisar o provisionamento da infraestrutura como um todo. Ajustamos o dimensionamento das máquinas, redistribuímos melhor a carga de processamento e organizamos a camada de entrada da aplicação para que as requisições fossem encaminhadas de forma mais eficiente.
Com isso, conseguimos aproveitar melhor os recursos disponíveis, reduzir desperdícios, melhorar a estabilidade e diminuir a latência de entrega das páginas. Em alguns pontos, inclusive, foi possível reduzir recursos que estavam superdimensionados, gerando economia sem comprometer a performance.
Em grandes empresas e indústrias, que muitas vezes chegam a ter mais de 20 mil produtos ou páginas no portal, isso é muito relevante. A gente encontrou tempos de retorno de páginas que às vezes levavam de 10 a 15 segundos. Conseguimos reduzir consideravelmente o tempo de retorno, para cerca de 1 segundo, e não houve mais instabilidade nem quedas de servidor.
Na prática, sair de 10 ou 15 segundos para cerca de 1 segundo muda completamente a experiência. O portal deixa de responder como um gargalo e passa a entregar páginas em um tempo muito mais próximo do que se espera de uma operação digital madura. Isso impacta o usuário, o trabalho de rastreamento pelos buscadores e a percepção de estabilidade da marca.
No fim, utilizamos melhor o poder computacional das máquinas com uma infraestrutura melhor provisionada e trouxemos mais performance para o portal do cliente. E a cereja do bolo: as notas avaliadas pelo PageSpeed Insights, ferramenta relevante para avaliação técnica, com essas mudanças de infraestrutura, em menos de 6 meses, já tiveram melhora significativa.
7. Performance técnica é muitas vezes subestimada fora do time de TI. Que indicadores ajudam a mostrar o valor da infraestrutura para o negócio?
Rafael Busetti: Um dos indicadores mais importantes são os Core Web Vitals, especialmente hoje, na era das buscas online, em que o portal tem que ser acessível tanto por desktop quanto pelo mobile. Buscadores como o Google têm uma série de recomendações e elas aparecem sintetizadas nos Core Web Vitals, que olham vários pilares dentro de um site, como carregamento, interatividade e estabilidade visual da página.
Outro indicador importante é o Speed Index, que é a velocidade de carregamento da página, de abertura da página. Se a infraestrutura não tiver boa performance, se ela não for configurada considerando cache, CDN e outros fatores, ou se o dimensionamento estiver errado, é muito improvável que o portal consiga uma nota ideal de Speed Index.

Core Web Vitals | BASE Digital
Também existem indicadores como o LCP, Largest Contentful Paint, que indica quanto tempo o conteúdo principal demora para ficar visível. Se o meu conteúdo é grande, com tempo de carregamento lento, eu também posso perder competitividade nos resultados de busca. Também tem os critérios do FCP, o First Contentful Paint, que ajuda a entender quando o primeiro conteúdo começa a aparecer para o usuário, antes mesmo de pensar na primeira dobra carregada por completo.
Então, se a infraestrutura não servir rápido, não tem como estar aprovado nesses indicadores. Sem aprovação, o Google pode considerar aquela página uma experiência pior para o usuário: “por que devo recomendar um portal que é lento?” Mesmo que dois sites tenham a mesma informação, um acaba sendo obsoleto. É uma palavra forte, mas é isso.
Outro indicador importante é a Experiência do Usuário. Eu entro num portal que é lento, possivelmente o usuário vai sair. Quem que vai ficar 5 segundos numa página em branco? Ninguém! Consequentemente vai aumentar a taxa de rejeição desse portal e, se o usuário acessou um produto que poderia ser vendido ou um formulário de orçamento que poderia ser disparado, a empresa pode perder a conversão.
Se o servidor estiver mal configurado, pode ser que o usuário fique ali 3, 4, 5, 10 segundos esperando aquele formulário ser enviado. Se retornar algum tipo de erro, vai frustrar o usuário, talvez ele vá desistir, talvez ele feche a página no meio do envio sem concluir o disparo. É um universo de possibilidades, que mostram como a infraestrutura é importante para o negócio.

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8. Como justificar investimento em infraestrutura para áreas que só olham para front-end e design?
Rafael Busetti: Quando a gente faz esse investimento em infraestrutura, não é só o que está sendo visto quando eu acesso o portal, tem toda a estrutura por trás, para prover as informações dessa aplicação.
Existe uma série de fatores que podem impactar toda a navegabilidade do portal, a questão do tempo de carregamento do site e a experiência do usuário no acesso às páginas, como falamos.
Um bom exemplo é quando navegamos na área de produtos do site e o usuário tenta filtrar os produtos de alguma categoria específica ou com múltiplos filtros. Se essa filtragem demorar, se o tempo de carregamento demorar, o que vai acontecer com o usuário? Talvez abra uma nova aba e busque em outro lugar. Talvez ele feche o portal sem consumir a informação que ele entrou para ver. Esse é um dos pontos que a gente pode traçar aqui para justificar o investimento.
Outro fator fortemente impactado por infraestruturas mal dimensionadas ou mal configuradas é o SEO. Quando a gente fala de SEO, a gente tá falando da presença de marca nos buscadores, da relevância do negócio. Então, é algo que fica mais fácil para justificar.
Outro ponto também que a gente pode abordar é a questão de campanhas de marketing. Quando se faz um investimento em mídia, ela vai direcionar para uma página do portal. Se tiver um volume muito alto de acessos, o portal da empresa precisa continuar acessível e performar bem. O site precisa entregar esse conteúdo de forma rápida, com baixa latência, para que esse conteúdo apareça o quanto antes para o usuário.
Na era da IA, muitas pessoas pesquisam no Google, encontram parte da resposta diretamente na página de resultados e não acessam mais os portais. A gente já vê estudos indicando que esse comportamento pode reduzir o CTR dos resultados orgânicos de busca, ou seja, a taxa de cliques nos links exibidos pelo Google, especialmente quando respostas geradas por IA aparecem no topo da página. Quando eu faço uma mídia ou conteúdo estratégico para orgânico e a marca aparece no Google, eu não posso correr o risco de não entregar bem o que o usuário precisa acessar.
Talvez esse seja um dos fatores mais críticos. E aí isso casa também com a credibilidade da marca, se a infraestrutura daqui a pouco não tá entregando o conteúdo do jeito que precisa.

Google AI Overview | BASE Digital
Nessa era agêntica, os portais também são constantemente acessados por robôs e por agentes que rastreiam, interpretam ou fazem scraping do conteúdo. Essas informações ajudam sistemas de busca e IA a avaliar a relevância das páginas e entregar respostas, resultados ou fontes mais alinhados à intenção do usuário.
O próprio AI Overview do Google, que é aquela caixinha lá no topo, é um exemplo disso. Quando a gente faz uma busca, ele faz uma consolidação de várias fontes de verdade. E por isso é importante ter o portal bem ranqueado nos resultados orgânicos, ter as palavras-chave bem trabalhadas, ter todo o conteúdo bem estruturado para que o portal da marca seja visível, para que apareça como fonte de referência nesse topo, onde possíveis clientes vão consumir parte da informação.
Com certeza, a performance da infraestrutura impacta também nessas ações. Daqui a pouco, não são só usuários finais acessando, porque também entram nessa conta crawlers, robôs e agentes de IA consultando páginas, imagens e conteúdos em escala. Isso pode gerar um volume gigantesco de acessos, aumentar o número de requisições, o consumo de processamento e a pressão sobre a infraestrutura.
Além do dimensionamento da infraestrutura, tem toda a questão de observabilidade da infraestrutura para entender o que está acontecendo com os acessos, qual que é o consumo de processamento e de memória, para ver se eu tenho que escalar essa infraestrutura, se eu preciso servir mais algum tipo de conteúdo específico.
9. Se você pudesse deixar só uma dica para quem está estruturando ou evoluindo um portal institucional, qual seria?
Rafael Busetti: A minha dica é: não peque pelo básico! Muitas vezes, a gente considera que infraestrutura é um item básico e qualquer uma vai servir para o portal institucional.
Mas nem sempre isso é verdade. Então, é preciso ter o portal sendo entregue via CDN, de modo geolocalizado, uma boa camada de cache, com uma boa camada de segurança, backups e observabilidade, porque todo esse conjunto é o que vai fazer a diferença na entrega do portal e na percepção do mercado.

Quando a gente cria um site institucional, junto com a arquitetura da aplicação, a gente já modela como vai ser a infraestrutura. É como um carro novo, zero quilômetro, que já sai preparado para rodar dentro de determinadas condições.
Mas, muitas vezes, aqui na BASE, nós atendemos portais que já estão no ar, que já estão rodando. O carro já chega andando, digamos assim. O portal já está rodando dentro de uma infraestrutura.
Nesse caso, é preciso fazer um assessment dessa infraestrutura frente ao portal institucional para entender quais são os gaps que precisam ser resolvidos. Muitas vezes, é possível manter a mesma infraestrutura, mas fazendo algumas configurações diferentes. Outras vezes, é preciso mudar algumas máquinas, alguns artefatos para que o portal tenha mais processamento, mais memória. Ou talvez colocar só uma camada na frente, para o conteúdo ser servido via CDN, ter uma camada de cache que faça o portal responder de forma rápida, com máxima performance.
Basicamente, a gente tem que fazer um diagnóstico frente ao que existe para tangibilizar o que é necessário de fato para posicionar da melhor forma possível esse ativo digital do cliente.
10. O que você gostaria que todos os decisores de marketing entendessem sobre infraestrutura?
Rafael Busetti: A infraestrutura não é só uma linha de custo da TI. É um dos pilares para o sucesso do lançamento e da evolução de um site institucional, associada à credibilidade, à experiência do usuário e ao posicionamento digital da marca. Por isso, tem que ser considerada uma linha importante dentro de todo o contexto do projeto, e não uma decisão isolada da TI depois que o Marketing já definiu a experiência.
Quando a infraestrutura é tratada como algo secundário, o portal pode até ir para o ar, mas talvez não consiga sustentar bem o crescimento, os acessos, as integrações e os momentos de maior demanda. E isso impacta diretamente o Marketing, porque compromete campanhas, conteúdo, SEO, a descoberta da marca, a experiência do usuário e a percepção de valor.
Se pensarmos em uma corrida de carros, o site pode ter um ótimo design, um bom conteúdo e uma estratégia de marketing bem planejada, mas, se o motor por trás for antigo ou mal preparado, ele até pode completar o circuito, mas dificilmente vai competir em alto nível com os seus concorrentes.
Conclusão
Performance digital começa muito antes da primeira linha de código. Em um site institucional, a infraestrutura é o que sustenta a experiência que o usuário percebe, mesmo quando ele não enxerga tudo o que acontece por trás.
Por isso, decisões sobre CDN, cache, segurança, observabilidade e escalabilidade não devem entrar no projeto como detalhe técnico. Elas precisam fazer parte da estratégia desde o briefing, especialmente em grandes empresas que dependem do site para fortalecer presença digital, sustentar campanhas, aparecer em buscadores e respostas de IA e transmitir credibilidade em cada acesso.
Na BASE, sites institucionais são estruturados com esse olhar: estratégia, arquitetura, performance e sustentação trabalhando juntas para que grandes marcas tenham uma presença digital mais estável, segura e preparada para evoluir.

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