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Human by Design: por que a empatia virou o principal diferencial na era da IA

01/04/2026
6 minutos de leitura
Autor Gabrieli Hilgert Rasche

Gabrieli Rasche

Marketing Lead na BASE Digital

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Vivemos em um cenário onde tudo evolui rápido demais. Novas tecnologias surgem diariamente. Startups escalam em velocidades nunca vistas. A inteligência artificial avança de forma exponencial.

Esse avanço cria um sentimento coletivo de sobrecarga. Estamos constantemente tentando acompanhar, aprender, aplicar, produzir, otimizar.

É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. E, no meio disso, surge um problema estrutural: Não temos um roadmap claro sobre para onde estamos indo.

Nunca foi tão fácil criar. E, ainda assim, raramente paramos para questionar se deveríamos.

Entre os dias 25, 26 e 27 de março, o South Summit Brazil 2026 reuniu novamente milhares de pessoas em Porto Alegre para discutir o futuro da tecnologia, dos negócios e da sociedade.

Em 2026, a BASE Digital participou do evento pelo quinto ano consecutivo. Dessa vez, participaram equipes de todo o ecossistema BASE, incluindo as startups Grano e Atendo.

Equipe da BASE Digital, Grano e Atendo na South Summit Brazil 2026

Equipe da BASE Digital, Grano e Atendo na South Summit Brazil 2026

Mas mais do que networking e tendências, o South Summit sempre propõe reflexão. E, nesse ano, essa provocação veio com um tema que diz muito sobre o momento que estamos vivendo:

Human by Design.

Neste artigo, compartilho alguns dos principais insights do evento, especialmente sobre como o design pode (e precisa) evoluir em um cenário cada vez mais moldado pela inteligência artificial.



De “resiliência” a “humanidade”: a evolução do discurso

Em 2025, o tema do evento foi Beyond Resilience. Um recorte inevitável diante das enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul, em 2024, inclusive o próprio Cais Mauá, onde o South Summit Brazil acontece.

Naquele momento, falar de resiliência era falar sobre reconstrução. Sobre continuar, seguir em frente.

Já em 2026, o discurso evolui, não estamos mais apenas reagindo ao caos. Estamos tentando entender como projetar o futuro em meio a ele.

E é aqui que o “Human by Design” deixa de ser apenas um conceito e passa a funcionar como um possível norte, talvez o mais necessário que temos hoje.



IA, realidade e o desafio da confiança

A inteligência artificial intensifica ainda mais esse cenário.

Hoje, já é difícil distinguir o que é real do que é gerado por robôs. Seja em um vídeo, em uma imagem ou até em um atendimento automatizado que simula um humano com precisão. Tudo pode ser simulado com um nível de fidelidade impressionante e isso impacta diretamente a forma como as pessoas interagem com os produtos.

Não é apenas um avanço técnico. É um desafio cognitivo.

Se não conseguimos mais diferenciar o real do artificial com facilidade, então um novo fator passa a ser central na construção de produtos digitais: confiança.

Quando a percepção de realidade fica comprometida, a experiência precisa compensar com:

  • clareza
  • transparência
  • previsibilidade

Sem isso, qualquer experiência, por mais inovadora que seja, pode gerar insegurança.

E confiança, uma vez quebrada, é muito mais difícil de reconstruir do que qualquer feature.



Em um mundo de makers, o diferencial não é mais criar

Outro ponto inevitável desse cenário é a democratização da criação.

Ferramentas baseadas em IA, como o próprio Figma Make, mostram que estamos entrando em uma era onde praticamente qualquer pessoa pode transformar ideias em protótipos funcionais com poucos prompts.

Hoje, todos podemos ser “makers” e isso muda completamente o papel do design, se todos conseguem criar, então criar deixa de ser o diferencial. E é aqui que entra o principal insight do evento: empatia como habilidade essencial no design de produtos.

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Durante a palestra no South Summit Brazil, Peter Skillman, Global Head of Design da Philips, trouxe uma reflexão direta.

Em tempos de excesso de tecnologia, a empatia passa a ser o nosso super poder.

Porque não é a tecnologia que define o valor de um produto. É o quanto ele resolve um problema real. É o quanto ele se encaixa na vida das pessoas. É o quanto ele simplifica, em vez de complicar.

E isso não se descobre com prompts. Se descobre com contexto. Com escuta. Com proximidade.

É aqui que entra um ponto que muitas empresas ainda negligenciam: a etapa de pesquisa e descoberta.

Aqui na BASE, usamos o superpoder da empatia, citado por Skillman, quando desenvolvemos sites institucionais e plataformas digitais a partir da experiência real do cliente final. Fazemos isso durante a etapa de Discovery, antes de desenhar telas.

Um exemplo é o site institucional da Stara Consórcio, modelo de compra planejada das máquinas agrícolas Stara, uma das principais fabricantes da América Latina.

Durante a criação do portal, entrevistamos agricultores para descobrir como melhorar a jornada digital do produtor rural que deseja usar o consórcio como forma de investimento.

Um dos resultados das entrevistas foi a criação de um Simulador de Consórcios que facilita a decisão de compra do serviço e agiliza a captação de leads. Na calculadora, é possível simular o valor do crédito e das parcelas usando a "moeda do produtor" (soja, milho, algodão, leite ou trigo).

Esse exemplo mostra bem o que a IA não consegue fazer, em termos de escuta e empatia.

É no contato com as pessoas, na investigação do contexto e na validação contínua que a tecnologia deixa de ser apenas possível e passa a ser relevante.

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Menos features, mais significado

Existe uma tendência no mercado de que quanto mais conseguimos fazer, mais queremos adicionar: mais funcionalidades, automações e outras possibilidades.

Mas isso nem sempre gera valor, na prática. O excesso de features pode gerar:

  • Complexidade desnecessária
  • Curvas de aprendizado maiores
  • Experiências confusas
  • Baixa adoção

Porque o usuário não precisa de tudo. Ele precisa daquilo que resolve o problema dele, de forma simples, rápida e clara. É preciso antever os chamados Jobs To Be Done.

E isso exige um movimento quase contraintuitivo: reduzir, simplificar e priorizar.

Pensar dessa forma exige fazer escolhas para reduzir escopo, poupar tempo e desperdício de recursos.

Talvez exija, ainda, refletir sobre a experiência do cliente em paralelo à comprovação da tese de negócio.

Se pensarmos em siglas: priorizar mais a Melhor Experiência Viável (MVE) do que o chamado Produto Mínimo Viável (MVP), tão aclamado em startups, mas que nem sempre são viáveis por questões de governança corporativa.



Tecnologia Humana como direção

Na BASE Digital, o conceito de Human by Design não é novidade. Desde 2010, a empresa trabalha com o princípio de Tecnologia Humana, colocando pessoas no centro das decisões e partindo do princípio de que tecnologia só faz sentido quando resolve problemas reais.

Como resume Guilherme Corsetti, co-CEO da BASE Digital:

“Essa experiência nos possibilita enxergar a necessidade real existente até entregar uma solução completa e resolutiva e que vá atender, principalmente, o que é esperado pelos consumidores e também para a geração de negócio, na perspectiva das empresas atendidas pela BASE.”

Se existe algo que o South Summit Brazil 2026 deixa como aprendizado, é que talvez não exista um roadmap técnico claro para o futuro. Mas existe um princípio.

Com evoluções tão rápidas, especialmente de IAs, o diferencial não está na ferramenta, mas na intenção.

Empatia e confiança deixam de ser soft skills e passam a ser fundamentos do design. E talvez esse seja o verdadeiro significado de Human by Design.


No fim, não se trata de desacelerar a inovação, mas de garantir que, no meio de tantas possibilidades de criação, a gente não perca a clareza do porquê criar.

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Autor Gabrieli Hilgert Rasche
Sobre o Autor:

Gabrieli Rasche

Marketing Lead na BASE Digital

Gabrieli Rasche é Marketing Lead na BASE Digital, com experiência em Product Design, UX/UI, Design System e Marketing. Formada em Arquitetura e Urbanismo, levou sua visão estruturada para o design digital, onde une estratégia, experiência do usuário e comunicação. Na BASE, lidera a execução e otimização das estratégias de marketing, garantindo o alinhamento entre design, marca e performance digital.

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