Mapa de calor: exemplos de UX design em sites institucionais
Fernando Maciel
UX/UI Senior Consultant na BASE Digital

Se tem uma coisa que eu aprendi trabalhando com UX é que o usuário quase nunca faz o que a gente espera.
A gente desenha a interface, organiza os componentes e planeja a jornada digital. Mas, quando o site vai para o ar, o comportamento real aparece. E é aí que ferramentas como o Microsoft Clarity começam a fazer diferença nas análises de UX.
A ferramenta da Microsoft é oferecida de forma gratuita e pode ser implementada facilmente, da mesma forma que usamos uma Tag de Google Analytics.
Porque, no fim, um mapa de calor mostra algo radicalmente simples: revela o que o usuário faz, de fato, dentro de um site ou plataforma.
O que é mapa de calor de site, simplificando
Quando me perguntam o que é mapa de calor, explico assim: é uma forma visual de rastrear e entender o comportamento do usuário.
Em sites institucionais, você consegue enxergar padrões importantes de navegação. E isso traz um nível de clareza que o Google Analytics não mostra.
Com o mapa de calor, você vê, por exemplo:
- •onde as pessoas clicam
- •até onde rolam a página
- •quais áreas recebem mais atenção ou interação
- •tipo de dispositivo usado para acessar o portal
- •links e botões mais clicados
Esses dados ajudam a identificar comportamentos reais. E, muitas vezes, revelam problemas invisíveis.
O que mais vejo são usuários clicando em elementos que não são nem clicáveis. Isso mostra que a interface não está atendendo a expectativa. E isso é um problema.
Não queremos que a sua marca gere frustração em um potencial cliente por causa de um simples botão, certo? Nesses casos, a recomendação é sempre ajustar o componente para melhorar a experiência do usuário.
UX/UI e jornada do cliente na prática
Eu costumo dizer que UX e UI nem sempre é apenas sobre interface. É sobre comportamento.
No dia a dia, isso significa entender três coisas:
1. O que o usuário quer no site
2. Como ele se comporta nele
3. O que impede ele de avançar na jornada
A partir disso, a gente tenta equilibrar comunicação e necessidade. Nem sempre o que a empresa quer mostrar é o que o usuário quer ver.
A jornada do cliente é esse caminho percorrido dentro do portal de uma empresa. Ela começa no acesso e termina quando o usuário atinge um objetivo, os chamados jobs to be done.
Esse objetivo pode ser:
- •ler um conteúdo no blog
- •baixar um documento
- •preencher um formulário de contato
- •entender um serviço ou buscar detalhes de um produto
- •converter
O mapa de calor, nesses casos, ajuda a enxergar essa jornada real. Não a jornada idealizada durante o desenvolvimento do site.
O que o mapa de calor do Microsoft Clarity revela
Se tem um momento em que a teoria cai por terra, é quando a gente começa a olhar dados reais. E é exatamente isso que acontece quando eu analiso sites e plataformas com os mapas de calor do Microsoft Clarity.
Porque uma coisa é o que a gente imagina que o usuário vai fazer. Outra coisa é abrir uma gravação não identificada e ver que ele simplesmente ignora o que parecia óbvio para o UX designer e para o time de marketing.
Mapa de calor do site mostra rapidamente onde está concentrada a atenção do usuário. No Microsoft Clarity, a análise ganha profundidade com o cruzamento de dados gerados pela plataforma.
Eu consigo ver o comportamento acontecendo. Consigo entender onde o usuário trava, onde ele tenta interagir e onde ele desiste.
Em uma análise recente que fizemos na BASE, por exemplo, vimos que mais de 85% da audiência de um site institucional era mobile. Nem sempre é assim. E isso muda completamente a forma de pensar a experiência e desenhar a interface.
Outro ponto importante apareceu no mapa de calor da Home deste mesmo website. Nas análises de UX, descobrimos que menos de 25% dos usuários chegavam na segunda dobra da página.
Para uma empresa, o impacto disso é enorme.
A interrupção da navegação no site institucional, no início da primeira página, limita a exposição aos conteúdos estratégicos para o negócio, prejudica o engajamento, a percepção de valor e impede o avanço na jornada, especialmente para páginas de produtos e serviços.
O que as cores de um mapa de calor significam?
Veja um exemplo prático. A imagem abaixo do Clarity mostra a primeira e segunda dobra de um site. A cor vermelha representa o conteúdo mais visualizado, e conforme as cores vão ficando mais frias (tons de amarelo, verde e azul), menos visualizações.

Microsoft Clarity
Certa vez, na análise de UX do portal de um dos clientes da BASE, descobrimos que o modal de permissão de cookies, aquela janela inicial de consentimento do usuário, estava interrompendo a navegação no site, logo no início.
Mapas de calor também ajudam a identificar desalinhamento na jornada. Uma campanha de mídia paga de um evento de uma empresa trazia tráfego para o site institucional, mas a página não sustentava a expectativa do usuário. Faltava conteúdo sobre o tema e uma jornada para direcionar o potencial cliente para produtos e serviços.
O resultado era que as pessoas entravam no site da empresa, mas abandonavam rápido. Não era só um problema de layout, era um problema de continuidade de jornada digital.
Na prática, uma análise de UX ajuda a identificar pontos como:
- •barreiras na navegação, como modais e overlays, elementos que se sobrepõem à interface
- •desalinhamento do conteúdo publicado com a chamada para ação (CTA) da campanha
- •diferenças entre comportamento mobile e desktop
- •quedas bruscas de scroll
Evidências como essas, quando se repetem em muitas gravações, são consideradas um padrão. Logo, se afetam a performance digital da marca, a jornada do cliente precisa ser revista.
Exemplos de mapa de calor de site: pequenos ajustes, grandes impactos
Nem sempre grandes mudanças são necessárias. Muitas vezes, pequenos ajustes resolvem grandes problemas em sites institucionais e plataformas digitais.
Confira algumas situações que identificamos em análises periódicas de UX, com apoio de mapas de calor e gravações de sessão, nas empresas atendidas pela BASE Digital:
1. Conteúdo longo com alto abandono
Em uma das análises realizadas no site institucional do Instituto Ayrton Senna, percebemos que os usuários não chegavam ao final do conteúdo. O mapa de calor do blog institucional mostrava abandono no meio da página.
Optamos por uma solução estrutural. Criamos um índice navegável e reorganizamos o conteúdo. Depois, ajustamos o posicionamento do componente. Como resultado, a interação aumentou significativamente.

Case: Instituto Ayrton Senna | Primeira versão do componente
A primeira versão do componente foi criada e posicionada ao lado direito da tela e começou a ser utilizada pelos usuários mas ainda de forma tímida.

Case: Instituto Ayrton Senna | Segunda versão do componente
A segunda versão passou a ocupar a margem esquerda, se tornando mais natural para a leitura do usuário.

Case: Instituto Ayrton Senna | Terceira versão do componente
A terceira versão teve um pequeno ajuste na largura da barra de scroll, que era discreta na versão anterior e acabava não trazendo a visibilidade necessária para a interação. Com esse pequeno ajuste tivemos muito mais interações.
2. Problemas de hierarquia visual
No site de outra empresa, a leitura do conteúdo estava desconfortável. Havia um contraste excessivo entre títulos e nomes de produtos. Isso gerava estranheza visual, dificultava a leitura e reduzia a fluidez do consumo do conteúdo, com impacto no tempo de engajamento na página.
✅ A solução foi ajustar proporções e reequilibrar a hierarquia visual.
3. Associação fraca entre imagem e produto
Também já vimos casos em que a imagem e o nome do produto apareciam distantes entre si. Isso enfraquecia a associação entre os elementos e dificultava a compreensão do conjunto. O usuário demorava mais para relacioná-los, o que comprometia a interação.
✅ A solução foi aproximar os elementos e manter as outras opções parcialmente visíveis, o que ajudou a estimular a navegação.
4. Falta de clareza na navegação
Outro problema comum que observamos em mapas de calor é a falta de previsibilidade. O usuário não sabe o que vai acontecer ao clicar em algo.
Links abrindo em nova aba sem aviso são um exemplo claro. Isso quebra a confiança e gera fricção.
✅ A solução foi deixar esse comportamento explícito, reduzindo a fricção e tornando a navegação mais previsível.
5. Comportamento inesperado
Também vi dezenas de casos de cliques repetidos na área inferior direita da tela e aquilo me deixava intrigado. Mas, ao analisar melhor não apenas o comportamento, mas também o contexto do usuário típico da organização, percebi que se tratavam de usuários usando o touchpad de notebook para navegar pela página enquanto liam o conteúdo, e não tentando interagir com algum elemento específico.
Logo, não era um problema técnico, mas um comportamento real de uso. A solução foi adaptar a interface a esse padrão.
De maneira geral, se você não sabe como os usuários navegam no seu site institucional ou na plataforma da sua empresa, você está tomando decisões de negócio sem dados, totalmente no escuro.
Sempre é bom lembrar que mapas de calor revelam vulnerabilidades e oportunidades para a marca. Ou seja: pontos cegos que você nunca imaginou que poderiam existir.
Conclusão: análises de UX melhoram a performance digital
Ferramentas como Microsoft Clarity e Hotjar ajudam a analisar o comportamento dos usuários em sites por meio de mapas de calor e gravações de sessão não identificadas. Esses dados ajudam a encontrar padrões, pontos de fricção, momentos em que a jornada se rompe e oportunidades reais de melhoria.
Quando você começa a ajustar esses pontos, o impacto vai muito além da experiência do usuário. Você melhora indicadores de performance digital, como engajamento, tempo de permanência, navegação e conversão.
UX não é só sobre interface. É sobre fazer o site performar melhor, gerar resultado e evoluir continuamente.

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Fernando Maciel
UX/UI Senior Consultant na BASE Digital
Fernando Maciel é UX/UI Senior Consultant na BASE Digital, com mais de 20 anos de experiência na criação de jornadas digitais, tem projetos para Nike, Pepsico, Lenovo, Piracanjuba entre outras grandes marcas.